ARIANA GRANDE É CAPA DA REVISTA TIME

Ariana Grande é uma das capas da edição de Maio da conceituada revista TIME, inserida no projecto "Next Generation Leaders" (Líderes da Próxima Geração). A cantora concedeu uma entrevista a Sam Lansky, onde falou sobre o seu novo álbum e sobre Manchester. Realizou também uma sessão fotográfica com Jimmy Marble. Confere todas as fotografias e ainda a tradução da entrevista:

FOTOGRAFIAS
SCANS

SESSÃO FOTOGRÁFICA

VÍDEOS
BASTIDORES DA SESSÃO

TRADUÇÃO DA ENTREVISTA

ARIANA GRANDE ESTÁ PRONTA PARA SER FELIZ
A Ariana Grande está feliz, e é importante para ela que as pessoas saibam disso. Ainda assim seria impossível não reparar na sua felicidade neste dia solarengo de primavera numa casa em ruínas em Beverly Hills. O brilho irradia dela enquanto se escarrapacha na relva, murmurando uma conversa de bebé com Toulouse, o seu resgatado beagle-chihuahua, espalhando-se pela forma como ela sai da casa para o quintal, girando e girando num vestido de folhes, de tule cinzento.

Ela tem muitas razões para ser feliz. Aos 24 anos, Grande é uma das maiores estrelas pop do mundo, e está a chegar com novas músicas após dois anos do lançamento do seu último álbum, o blockbuster Dangerous Woman. O seu último single chama-se "No Tears Left To Cry". Pelo título, espera-se uma grande balada-- ela não tem mais lágrimas! Mas em vez disso, é triunfante, uma confecção pop flexionada na casa dos anos 90, vocais ofegantes e animados, brincadeiras com palavras faladas. Ela escolheu com cuidado: "A introdução é lenta, e depois vai aumentado," diz. "E é sobre picking things up."

Grande fez uma música sobre resiliência porque ele teve que ser resilente, de uma maneira que é dificil de imaginar, depois do ataque terrorista em Manchester, Inglaterra, no dia 22 de Maio que matou 22 pessoas e feriu mais de 500. O que aconteceu faz parte da música, mas a música não é sobre o que aconteceu. Em vez de ser dolorosa, é alegre e exuberante, e Grande está orgulhosa dela e de si própria. "Quando comecei a tomar mais conta de mim, depois veio o equilibrio, a liberdade e a alegria," disse. "Colocamos isso na música." No vídeo da música, ela está virada ao contrário, a maneira como se sentia na vida. "Nós usámos a ideia de não sermos capazes de encontrar o chão novamente", diz, "porque sinto que estou finalmente a aterrar nos meus pés agora."

Grande é pequena, com olhos de boneca Kewpie e com um grande e fácil sorriso. Ela normalmente usa o seu cabelo num grande rabo de cavalo, mas hoje está preso num elaborado coque, com pequenas mechas de cabelo que caiem atrás das suas orelhas. Quando fala, é sincera e entusiasta - consegues ouvir as suas raízes teatrais.

Grande cresceu no sul da Flórida; a sua mãe era a CEO de uma empresa de comunicação e o seu pai um designer gráfico de sucesso. Em criança, ela sempre quis representar. "Eu amava usar máscaras de Halloween em Junho e atuava na cozinha para os meus avós," diz. Ela era precose e motivada. "Uma amiga da primária descobriu um caderno onde escrevemos quando tinhamos 5 ou 6 anos que dizia, 'O que queres ser quando cresceres?'" disse. "O meu dizia, 'Quero estar no Nickelodeon e depois quero cantar.'"

Ela atuou num teatro local, depois na Broadway no musical 13. Quando tinha 16 anos, ela foi escolhida para a série do Nickelodeon, Victorious, que fez dela uma estrela, embora principalmente com os espectadores mais jovens, envolveu-se com o pop chiclete. Assinou com a Republic Records depois do presidente da gravadora ter visto os videos dela no Youtube a cantar músicas de Whitney Houston e Adele.

O seu primeiro single oficial, "The Way", foi lançado em 2013. Não soava como a música que ela gravou para o Nickelodeon; era jovem e cativante, exibia uma voz imponente que às vezes soa quase instrumental. (Até os maiores fãs apontam que, dependendo de como a Grande canta, pode ser díficil perceber as suas letras - uma crítica que ela claramente leva em conta. A certo ponto na nossa entrevista, depois de terminar um pensamento sinuoso, ela virou-se e perguntou: "Enuncei?" e depois, exibiu um sorriso malicioso.

O seu primeiro álbum, Yours Truly, estreou-se no número 1 no Billboard 200 e vendeu mais de 500,000 cópias mundialmente, e os seguintes, My Everything e Dangerous Woman, fizeram ainda melhor. Ela lançou uma série de colaborações de topo das paradas, incluíndo "Problem" (com Iggy Azalea), "Love Me Harder" (com The Weeknd) e "Side To Side" (com Nicki Minaj). Esteve em digressão pelo mundo. Foi rotulada como diva, o que acontece a praticamente todas as mulheres na música. Tornou-se a terceira pessoa mais seguida no Instagram. Muita coisa para lidar, ainda que ela quisesse o sucesso. "Houve um período de ajuste, porque a minha vida mudou drásticamente," conta. Agora já se estabeleceu. "Se quero sair, então vão sair como Ariana Grande e estar bem com isso," diz. "Se não me sinto OK, provavelmente vou ficar na cama e ver a Anatomia de Grey."

Tudo estava diferente, diz Grande, quando estava a fazer o seu novo álbum. Primeiro, ela assumiu a liderança em escrever as músicas, o que ela nunca fez realmente antes. "Apenas estava super entusiasmada por cantar," diz dos seus esforços anteriores. "Por isso eu co-escrevia, mas nunca estive tão envolvida." Ela também falou com os seus produtores - Max Martin, Savan Kotecha e Pharrell Williams, três dos hitmakes mais confiáveis da música - sobre experimentar com o seu som. "Não havia nada que não fosse experimentar," diz. Ela disse a Williams que queria "fazer a coisa mais estranha que conseguissem primeiro." Existem vários momentos no álbum - ambos no primeiro single e no hino, incrível e sensual, de nome "God Is a Woman" - onde a voz de Grande está em camadas para que soe como um coro, mas a sério, é só ela, multiplicada. Numa outra música, "Get Well Soon", os seus vocais estão entrelaçados em densas camadas de som, criando um efeito de outro mundo. "É como se estivesse a falar com os pensamentos na minha cabeça," diz, "e eles estão a cantar para mim em resposta".

Grande atribui esta recente liberdade criativa ao trabalho que ela fez para se curar. "Senti-me mais inclinada a explorar os meus sentimentos porque passava mais tempo com eles," conta. "Estava a falar mais sobre eles. Estava mais em terapia." Embora tenha lutado com a ansiedade no passado, diz: "Nunca falei sobre isso, porque pensava que era assim que a vida se deveria sentir." O que, especificamente, estava a fazê-la ansiosa? Ela abana a cabeça. É díficil falar sobre isso.

Aqui está o que Scooter Braun, o manager de Grande, disse sobre o que aconteceu no Verão passado, depois do ataque terrorista em Manchester. Grande voou para casa para ficar no lar da sua avó em Boca Raton, Flórida. Braun encontrou-se com ela onde lhe pediu para falar algo, que diz naquele momento ser injusto. "Eu disse, 'Precisamos de fazer um concerto e voltar lá.'" Ela olhou para mim como se eu fosse louco. "Ela disse, 'Eu não consigo cantar estas músicas outra vez. Não consigo vestir aquela roupa. Não me ponhas nessa posição.'" Decidiram cancelar o resto da digressão.

Dois dias depois, Braun estava num vôo, e quando aterrou tinha 16 mensagens de Ariana que diziam, "Liga-me. Preciso de falar contigo." Quando finalmente falaram, ela disse, "Se eu não fizer nada, aquelas pessoas morreram em vão." Decidiram fazer um concerto beneficiente em Manchester para as famílias afectadas.

No mínuto em que chegaram, dias depois do atentado, foram ajudar. Foram ao hospital e estiveram com os sobreviventes. Encontraram-se com as famílias dos falecidos. Quando o concerto se aproximava, começaram a preocupar-se com a possibilidade de as pessoas terem medo de aparecer.

Mas mais de 50,000 pessoas apareceram. Uma dúzia de outros artistas - incluíndo Justin Bieber, Coldplay e Katy Perry - vieram para atuar. Grande fechou a noite com a performance de "Somewhere Over The Rainbow," com lágrimas a escorrerem-lhe pela cara. O concerto, de nome One Love Manchester, foi transmitido ao vivo na TV Britânica e no resto do mundo, com a informação de como as pessoas podiam doar; ajudou a angariar mais de $12 milhões para as vítimas do atentado e as suas famílias. A cidade de Manchester nomeou Ariana Grande a primeira cidadã honorária, citando os seus "muitos atos altruístas e demonstrações de espírito comunitário."

"Colocamos muita coisa nos seus ombros," diz Braun. "E ela assumiu. Sabes, para o resto da sua vida, ela pode dizer que é exatamente quem ela diz ser."

Então foi isto que aconteceu. Depois do concerto em Manchester, Grande terminou a digressão. E depois desapareceu por uns tempos.

Grande construiu um carreira na eferverscente e exuberante alegria da música como fuga: a voz arrepiante, os emocionantes concertos ao vivo, os videoclips polidos. Agora, mesmo não tendo nada a ver com o ataque, ela tornou-se central para a narrativa, de uma forma que se tornou inexorável. E afinal, o que ela realmente perdeu comparado com tantos outros? Pessoas perderam os seus filhos, pais, companheiros, amigos. Fazer arte que fosse explicitamente sobre isso pareceria exploradora. Mas ignorar seria insincero.

Ela sabe que lhe vou fazer perguntas sobre isso antes de eu abrir a boca. Ela consegue ver nos meus olhos, e eu consigo ver nos dela, e ela começa a chorar - não lágrimas graciosas, mas soluços profundos e sufocantes. "Desculpa," diz. "Vou dar o meu melhor."

Lentamente, ela começa a elaborar: "Existem tantas pessoas que sofreram essa perda e dor." O seu próprio pesar é enorme e insignificante. "A parte de processamento vai demorar uma eternidade," diz, e soluça novamente. Ela não quer falar sobre o ataque. "Eu não quero dar-lhe tanto poder," diz. "Algo tão negativo. É absolutamente o pior da humanidade. Foi por isso que dei o meu melhor para reagir da maneira que reagi. A última coisa que queria era que os meus fãs vissem algo como aquilo acontecer e acharem que tinham ganho."

"A música é suposto ser a coisa mais segura do mundo," continua. "Penso que é por isso que ainda é algo tão pesado no meu coração todos os dias." Ela respira fundo. "Desejava que houvesse mais que pudesse consertar. Achas que com o tempo torna-se mais fácil falar sobre isso... Ou que vais ficar em paz com isso. Mas todos os dias eu espero por essa paz e continua muito doloroso." Não existe nenhuma solução. Não existe um porquê. Apenas aconteceu. "Desculpa," diz novamente. "Qual era a pergunta?"

A abelha foi um símbolo de Manchester durante vários anos; é uma homenagem aos cidadãos que trabalharam duro na cidade, as abelhas operárias que construíram a região durante a Revolução Industrial. Depois do ataque, milhares de pessoas em Manchester tatuaram uma abelha. Assim fez Grande e os membros da sua equipa. Agora ela vê abelhas em todo o lado. Existe uma no final do vídeo de "No Tears Left To Cry", no frame final.

É parte de como ela carrega o que aconteceu em Manchester com ela. Ela atuou em Charlottesville, Virginia, assim como na March For Our Lives em Washington, e conheceu alguns dos sobreviventes do tiroteio em Parkland, Flórida. "São tão novos mas tão brilhantes e fortes," diz. "Tivemos muito que falar sobre o que nós passamos."

O seu novo álbum, chama-se Sweetener. Ela decidiu chamá-lo assim porque é a mensagem que quer dar aos seus fãs: que podes agarrar numa situação má e fazê-la melhor. "Quando és entregue a um desafio, em vez de ficares sentado a reclamar, porque não tentar fazer algo bonito?"

Esse sentimento chega a Grande também. "Estou feliz," diz, e lágrimas caem pelos seus olhos. Ela limpa-as. "Estou a chorar," diz, "mas estou feliz.".

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